sábado, 20 de fevereiro de 2010

A volta da alegria de Orfeu

Venha sentar-se comigo, Eurídice,
Na Praia Vermelha... Ver o mar...
Verdades foram ditas nesta beira,
Mas tristezas, de minha lira, já não há.

Faz anos que partimos para longe...
Na distância que o rio nos separa
De repente com palavras uma ponte
Une as pontas onde não se vadeava.

E agora, na tranquilidade do estar,
Seja à sombra ou seja à luz do dia,
Vou cantar sem apatia toda a vida.

Quero ver a alegria da surpresa
Nos teus olhos, quando a música evocar
Uma roda de samba de sereias!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Um encontro

Sinto as mãos forçarem a máscara, tapando meus olhos. Ainda é manhã pelas frestas dos dedos. Seguro os pulsos no equilíbrio. A festa arrasta-nos para a música.

Há um sol nos braços finos. Meio passo para frente, um esbarrão pela direita... A sandália resvala paralelepípedos. Talvez, talvez uma boca me chega aos ouvidos: Desculpa... como quem diz não olhe para trás.

As mãos descortinam a multidão. Giro incompleto, sonâmbulo. Chega de algum canto a canção. Mas os braços somem, para sempre, nos paetês.

O Canto da Liberdade (Djalma A. Cascabulho)

Amigos, redescobri outro dia nas minhas coisas uns documentos, fotos e poemas do meu avô Djalma Cascabulho. Boêmio das noites de Madalena, Campos e Paraty, deixou pouquíssimos poemas escritos– a maioria de qualidade estética duvidosa, pelo menos para mim. No entanto, ao visitá-lo nas memórias de amigos e parentes, é indiscutível não reconhecer o seu espírito de poeta. Posto aqui os versos que mais gosto, feitos no pós guerra, com toda aquela alegria ufanista e inocente daqueles tempos. Até mais.

Ser livre como um potro bravio!
Relinchar, relinchar e correr,
Saltitante e feliz, a correr, a correr!

Ser árvore!
Acenar, acenar e falar por farfalhos.
Abraçar a alegria da vida em meus galhos!

Ser sol!
Inundar a natureza da luz com meus raios,
Nascer entre as montanhas e atrás delas morrer!

Ser regato!
Deslizar tranquilo e feliz pelas fraldas dos montes,
Em busca dos rios, em demanda do mar!

Ser garoto outra vez!
Jogar bolas de gude, correr pelas ruas,
Trepar pelas árvores, novos frutos colher!
Não pensar mais na vida,
De tudo esquecer!

Estancar esse sangue, que corre da ferida,
Que você machucou sem querer!

Vou subir a montanha,
Vou viver lá de novo,
Vou cantar pro meu povo!

Esse canto sublime
É a voz da montanha,
Resoluta e tão firme
Que à luta me assanha.

Quem sabe ouvirá esse canto que falo,
Ele é firme e constante
Como o canto de um galo!

Venha ver meu povo como gosta de ouvi-lo
Esse canto que é de minha alma um suspiro!
Nele rendo um culto de amor e lealdade:
A Deus, aos homens, às pátrias e à Liberdade!!!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Soneto para Marina

“... podia-se vislumbrar sobre a cama uma jovem de luminosa figura, agradável semblante, caráter filosófico numa aparência como a da lua, olhos babilônicos, sombrancelhas em forma de arco, silhueta na forma da letra alif...”

O carregador e as três jovens de Bagdá
Livro das Mil e Uma Noites
Volume I - ramo sírio
Na Aleph encontro cardinais
Sem nenhuma consoante.
É um universo de vogais
Que ordenam dissonantes

Cais de barcos racionais.
Como despedir o branco
De tuas cores decimais
Sem precisar contanto?

Ai, alfabetos ruminantes
Não digerem numerais...
Que cilada, Rocinante!

Mas, se o conjunto abarca
Tanto infinito sem demais...
Que calcularia meu Petrarca?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Soneto do próximo carnaval

Há tantas serpentes com asas
Nas fazendas das macieiras!
Vai chegar ferida a dentadas
A manha de quarta-feira...

Não! Não é preciso redimir-se...
De bumbo basta o Zé-Pereira!
Bem mais feliz é quem é triste
E na alegria da tristeza esquece.

Se na ilusão a realidade vive...
Veja! Tudo é feito de confete!
Já disse o poeta e o cientista.

Nesse cordão só existe a prece
Que se apressa no reger da vida
E que dela nada leva ou pede.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Salve Jorge!

Amigos, foi sem querer. Antes de entrar na leitura do Julio Cortazar, caiu quase que por acaso na minha mão o romance de estréia do velho orixá Jorge Amado – O país do Carnaval – escrito em 1930. Nunca devorei um livro tão rápido. Agora entendo o fascínio de minha mãe pelo baiano. Que personagens! A construção dos diálogos flui de forma dialética com uma naturalidade impressionante para um jovem de apenas 28 anos. Exatamente a minha idade hoje!
De forma um tanto naive – mas não menos bela – O País do Carnaval procura com seus personagens um caminho filosófico para a felicidade do homem, entre tantas mudanças do Brasil e do mundo no início do século XX.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Crônicas de patrício

Leitores deste blog,

Se vcs gostam de crônicas, recomendo o blog do meu Patrício de Barra Mansa Thiago Panza. Entrem no blog dele, alcroonicas.blogspot.com!!!!!
É realmente um espaço muito bom. No mês passado ele também lançou um livro de crônicas que vale a pena. Dentre elas, destaco aqui a curtinha "Bernardo?", que muito me divertiu.

Inté